A 5 de dezembro de 1996, a UNESCO (acrónimo em inglês para Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) incluiu oficialmente o Centro Histórico do Porto na lista do Património Cultural da Humanidade. Foi o reconhecimento do excecional valor cultural, patrimonial e paisagístico da parte mais antiga da cidade do Porto e o culminar de um processo iniciado em 1991 por iniciativa da autarquia portuense.

Para contextualizar esta decisão, recuemos à candidatura formal apresentada pela Câmara Municipal do Porto à UNESCO, que tinha por base as seguintes razões em torno do Centro Histórico:

  • A presença de relevantes valores arqueológicos.
  • A importância dos aspetos históricos inscritos na evolução urbana e na arquitetura.
  • As intervenções urbanas, espontâneas ou planeadas, de diferentes épocas: vielas tortuosas da Idade Média bem adaptadas à topografia, ruas retilíneas e pracetas da Renascença, vias que vão dar a monumentos barrocos.
  • O conjunto de monumentos e edifícios representativos de estilos românico, gótico, maneirismo, barroco, neoclássico, arte nova, etc.
  • O valor da arquitetura civil, sabiamente adaptada às características locais e refletindo condições económicas, sociais e culturais de diferentes épocas, com aspetos tanto tradicionais como eruditos.
  • Numa área de 90 hectares, um conjunto de cerca de 3000 prédios de habitação e comércio, sem grandes intrusões descaracterizadoras.
  • A presença de mais de 20 000 habitantes formando uma comunidade viva e ativa, preservando as suas tradições e valores culturais.
  • Os processos de recuperação e de reabilitação, com projectos de integração social, já concretizados.
  • O grande valor estético e carácter cénico, com uma enorme riqueza panorâmica, resultante da complexidade do terreno, do modo harmonioso como as ruas se articulam, da implantação dos grandes edifícios e monumentos, da relação com o rio, dos efeitos visuais diversificados consoante a luz e o tempo.
  • A existência de uma unidade estética e visual, apesar da variedade das formas e dos materiais.

Na proposta de inscrição original pode ler-se que “tanto como cidade, como realização humana, o Centro Histórico do Porto constitui uma obra-prima do génio criativo do Homem. Interesses militares, comerciais, agrícolas e demográficos convergiram neste local para dar abrigo a uma população capaz de edificar a cidade. O resultado é uma obra de arte única no seu género e de alto valor estético. Trata-se de um trabalho colectivo que não resulta duma obra pontual, mas sim de sucessivas contribuições.”

A UNESCO aprovou a inclusão do Centro Histórico do Porto na Lista do Património Mundial com base no seu IV Critério Cultural:

“Este bem possui notável valor universal pelo seu tecido urbano e pelos seus inúmeros edifícios históricos que testemunham de forma notável o desenvolvimento ao longo do último milénio de uma cidade europeia virada para o ocidente pelas suas ligações comerciais e culturais”

Documento oficial de 1996.

CENTRO HISTÓRICO LIMITES E HISTÓRIA

Designado oficialmente desde 2016 como “Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar” , o território classificado pela UNESCO como Património Mundial foi alargado face ao processo original para incluir a icónica ponte sobre o Douro projetada por Teophile Seyrig (antigo sócio de Gustave Eiffel) e o mosteiro que lhe fica sobranceiro.

É nesta zona que confluem as águas do Douro e as próprias origens da identidade e cultura portuguesas. O Centro Histórico do Porto partilha as suas raízes físicas e civilizacionais com a antiga cidade de Portus Cale, que veio a dar origem ao nome de Portugal.

A área histórica apresenta-se hoje praticamente inalterada e livre de construções modernas. O território classificado pela UNESCO abrange quatro freguesias do Porto - Miragaia, Vitória, São Nicolau e Sé - que se encontram, em traços gerais, no interior da muralha Fernandina (século XIV) e áreas adjacentes, cujo património construído tem características medievais ou valorizadas por trabalhos posteriores. Estão incluídos neste grupo o quarteirão e Passeio das Virtudes, a Torre e Igreja dos Clérigos, a Rua 31 de janeiro e o conjunto envolvente do Teatro S. João e do Governo Civil. A envolvente desta área medieval, embora mais recente, é também rica do ponto de vista histórico e artístico: a Nascente, situa-se a encosta das Fontainhas e dos Guindais; a Norte, a Avenida dos Aliados e respetivos quarteirões, onde se incluem as Praças de D. João I, da Trindade, de Filipa de Lencastre e de Gomes Teixeira; a Noroeste, o Hospital de Santo António; e a Poente, a zona da Alfândega e Vale das Virtudes.

Sabia que ...

A decisão da UNESCO foi emanada a partir da cidade Mérida, no México, que recebeu a 20ª sessão daquele organismo das Nações Unidas entre 2 e 7 de dezembro de 1996?

Sabia que ...

O famoso símbolo do Património Mundial foi desenhado pelo artista belga Michel Olyff e foi adotado como emblema oficial na Convenção do Património Mundial em 1978?

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É usado para identificar os bens protegidos pela Convenção do Património Mundial, inscritos na lista oficial do Património Mundial, representando os valores universais que a Convenção defende. O quadrado central simboliza o resultado da capacidade e inspiração do Homem, enquanto o círculo celebra as dádivas da Natureza.
O emblema é redondo, como o planeta, símbolo de proteção global da herança de toda a Humanidade.