Há uma nova luz sobre o Elevador da Lada

Quem passar na zona da Ribeira à noite e olhar para cima será inevitavelmente atraído para uma cascata de luz que, desde esta quinta-feira, ilumina o Elevador da Lada. Trata-se de mais um intervenção artística do programa Alumia, dinamizado pela Porto Lazer desde o passado mês de dezembro para assinalar os 20 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Desta vez, os artistas Pedro Tudela e Miguel Carvalhais foram os autores de uma instalação que pretende transformar a perceção visual e sonora de um espaço muitas vezes ignorado pelos milhares de pessoas que todos os dias passam pela Ribeira.

Designada CX LUX, a instalação luminosa é composta por 110 lâmpadas, com várias temperaturas de cor, que usam a estrutura vertical do elevador como suporte. No topo do elevador, junto à cabine e respetivo passadiço horizontal, é projetada uma composição sonora que os artistas relacionaram com o espaço da Ribeira, tentando retratar um universo de sons que foram sendo mascarados ou mesmo eliminados pela passagem do tempo. Inaugurado precisamente no dia da abertura do programa das Festas de São João, CX LUX ficará patente até ao próximo dia 30 de julho.

“Quando fizemos um levantamento de possíveis suportes para esta peça encontrámos o Elevador da Lada e de repente demos com um sítio que tinha uma presença muito forte na paisagem mas, ao mesmo tempo, muito discreta”, explica Miguel Carvalhais, músico, designer e professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. “É algo que está aqui há vários anos mas poucas pessoas se lembram do Elevador. Quando dizíamos a alguém que estávamos a trabalhar numa peça para o elevador da Ribeira, quase todas as pessoas confundiam-no com o Funicular (dos Guindais, junto à entrada do tabuleiro da Ponte Luís I, ndr). A estrutura do Elevador da Lada é contemporânea, de ferro, que é um elemento que tem uma ligação muito à forte às pontes e ao Centro Histórico, e pensámos numa instalação de luz que tem uma presença forte à noite, e numa instalação sonora que funciona durante o dia. Foi interessante porque, para a composição sonora, fomos entrevistar moradores da Ribeira e perguntámos quais eram os sons que entretanto teriam desaparecidos ou que foram sendo mascarados por outros sons que apareceram, seja do metro, dos músicos de rua, dos turistas, etc. As pessoas falaram-nos de elementos como os sinos, os chocalhos de rebanhos que existiam nestes socalcos, o mercado que existia aqui com os pregões, canções, etc”.

Visualmente, é quase impossível não associar a composição das 110 lâmpadas a uma cascata luminosa, num efeito confirmado por Pedro Tudela, artista plástico, músico, cenógrafo e também ele professor da FBAUP: “Sim, temos esta ideia de luz descendente, de uma cascata onde a luz vai perdendo densidade. Mas também há uma altura do dia, por volta das 19h00 quando as luzes se ligam mas quando há ainda luz natural, onde parece que a cabine que está no topo se destaca da base. As próprias temperaturas de cor, mais quentes na base e mais frias no topo, pretendem acentuar este efeito”, refere.

O projeto dará origem a visitas guiadas e a uma oficina com participação do público, todos os sábados entre as 22h00 e as 23h00. Os visitantes serão convidados a desenhar as suas memórias do percurso na Ribeira, com esses registos a darem origem a composições musicais mediante o uso do software Tunetrace. As inscrições para as visitas deverão ser feitas através do email alumiaservicoeducativo@gmail.com.

 

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